Como interferências pessoais impactam a cultura organizacional?

Os resultados que você alcança são influenciados diretamente pelo ambiente que você cria ao seu redor.

Não importa o seu tamanho, nem o segmento em que está inserida, toda empresa é construída por pessoas e, em última instância, pelas relações que se estabelecem. Um produto ou serviço só existe em função da necessidade de determinado público. Sua produção ou desenvolvimento pode ter o apoio da tecnologia, mas existem pessoas em todas as etapas de sua criação: seja nos momentos de venda ou busca por investimentos, são seres humanos que precisam ser influenciados e mobilizados para a ação.

Relações Interpessoais estão presentes em nosso cotidiano gerando impactos a todo instante, sejam eles positivos ou negativos. Um ambiente organizacional prevê resultados que precisam ser alcançados e, para esse fim, estratégias são criadas. Nesse sentido, atentar-se à cultura é crucial. É ela que sustentará ou não a estratégia, alavancando ou comprometendo a sua execução e, consequentemente, o seu sucesso.

A consultora britânica, especialista em cultura organizacional e em processos de mudança de comportamento, Carolyn Taylor, define cultura como: “o conjunto de padrões de comportamentos que são encorajados ou permitidos ao longo do tempo. É o resultado das mensagens recebidas sobre como se espera que as pessoas se comportem.”

Se cultura e comportamento estão indissociavelmente entrelaçados, é dado que os comportamentos de cada indivíduo impactarão diretamente na cultura de uma organização. Se essas interferências gerarem um impacto negativo e esse for negligenciado ao longo do tempo, pode-se ter dificuldade de retomar a linha estratégica e direcionadora.

De acordo com Taylor, “as pessoas se comportam de uma determinada maneira principalmente pela influência do ambiente ao seu redor”. Considerando que “ambientes” são compostos de infinitos componentes concretos e tangíveis, mas também de elementos simbólicos e abstratos, e considerando que a forma como nos relacionamos e nos comunicamos fazem parte dessa construção, perguntamos: que ambiente estamos criando diariamente? Esse ambiente está trabalhando a serviço da estratégia e propiciando o fortalecimento de uma cultura que promova relações positivas, colaborativas e de valor?

Qual é o papel das lideranças no negócio diante da cultura organizacional?

Líderes possuem a desafiadora missão de guiar pessoas por um caminho de trabalho produtivo e ser um dos promotores do desenvolvimento profissional e humano de sua equipe. Entre as metas e seus times, há um elo precioso para manter a engrenagem funcionando na direção dos objetivos que trarão sustentabilidade à empresa e seus colaboradores. Essa manutenção passa pelas relações estabelecidas com as pessoas a sua volta e sua habilidade de mobilizá-las para que as entregas necessárias sejam realizadas.

Ao nos relacionarmos com o outro recebemos informações e sinais de diferentes ordens: percebemos em nós mesmos potencialidades, habilidades instaladas e competências desenvolvidas. Mas não apenas de pontos fortes é constituído um profissional: também percebemos interferências, internas e externas, que atuam e impactam de diferentes formas. Nessas circunstâncias, precisamos lidar com questões que temos pouco ou nenhum controle e outras que podemos administrar a partir do momento que reconhecemos como interferência e compreendemos a sua influência sobre nós, sobre determinada situação e as pessoas envolvidas.

Se um negócio pode ser entendido como um sistema feito de pessoas e para pessoas, e se vivemos em um mundo de constante mudança, em que a adaptação e o desenvolvimento contínuo são premissas para a sobrevivência, ficam as reflexões:

Que cultura precisamos desenvolver e reforçar para nos mantermos competitivos nesse mercado? E de que forma eu interfiro nessa cultura?

Para que uma organização se mantenha em crescimento e constante evolução, é imprescindível haver uma cultura de aprendizagem efetiva e coletiva, em que todos estejam direcionados a um objetivo comum. As lideranças, então, passam a ser agentes desse processo ao promoverem a criação de ambientes estimulantes, de interações inteligentes e catalizadores de colaboração entre seus liderados.

As pessoas se comportam do mesmo modo que pensam e sentem, determinando assim os resultados de suas ações. Logo, pensamentos, crenças, valores e sentimentos — alguns profundos e inconscientes e outros superficiais e transitórios — são as forças por trás dos comportamentos a cada momento. Podemos chamar essa nuvem de pensamentos que passa em nosso íntimo e move nossas ações de modelo mental, mindset, ou como a própria Carolyn denomina, o nível SER dos indivíduos.

No contexto de liderança, para apoiar processos de mudança, transformação e desenvolvimento de outros, o líder precisa também perceber seus pontos fortes, interferências e oportunidades de desenvolvimento. É necessário que o seu modelo mental esteja alinhado aos comportamentos que deseja empreender para apoiar o seu próprio time. Nesse sentido, segundo a teoria de Taylor, como a liderança se sente e o quanto acredita que algo é importante para si determina o seu nível de envolvimento, o que significa quão envolvido ela se sente naquilo que precisa fazer.

Esses comportamentos estão presentes em nossas relações pessoais, na forma como interagimos com os outros: em julgamentos, exigências, auxílio aos outros etc. Identificar e compreender a formação do nosso mindset é parte da aplicação de uma Inteligência Interpessoal, melhorando nossa performance interpessoal.

Na constituição do nosso mindset existem também os Sabotadores Psicológicos, que nos acompanham inconscientemente e têm sua origem ainda na infância. De acordo com as ideias de Timothy Gallwey, conhecido como “pai do coaching” e autor de uma série de livros e teorias, um dos caminhos para maximização de performance consiste no indivíduo reconhecer suas interferências, questionar a validade delas e enfraquecê-las para, assim, explorar as possibilidades disponíveis.

Shirzad Chamine, renomado autor no campo de Psicologia Positiva, afirma que essa “sabotagem é estimulada por “Sabotadores Psicológicos”, interferências que nos acompanham na forma de pensamentos e sentimentos.

Divididos em dez arquétipos, “os Sabotadores são “inimigos internos”. São um conjunto de padrões mentais automáticos e habituais, cada um com sua própria voz, crença e suposições que trabalham contra o que é melhor para você”. A questão, de acordo com Chamine, não é se uma pessoa possui ou não Sabotadores psicológicos, mas quais possui e o quão forte eles se manifestam.

Sabotadores psicológicos, de acordo com as pesquisas de Shirzad, são universais — existem em todas as culturas, faixas etárias e gêneros — e estão ligadas às funções do cérebro ligadas à sobrevivência. Segundo Chamine, os Sabotadores surgem como guardiões para nos ajudar a sobreviver às ameaças reais e imaginárias contra nossa sobrevivência física e emocional quando ainda somos crianças. Quando nos tornamos adultos, porém, já não precisamos mais destas “estratégias mentais”. No entanto, elas se tornam habitantes invisíveis da nossa mente.

Nesse processo de enfraquecimento de sabotadores, o autoconhecimento e autoconsciência são nossas maiores aliadas. Para que possamos mudar, afinal, é necessário que nos conheçamos.

Conheça, a seguir, os dez arquétipos de Sabotadores Psicológicos descritos por Shirzad Chamine e como eles se manifestam:

Com o conhecimento de como podemos ser influenciados por nossos sabotadores, temos a oportunidade de lidarmos melhor com essas interferências, criar estratégias pessoais para minimizar seus impactos em nosso cotidiano e construir relacionamentos mais produtivos.

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