Engajamento como ferramenta do líder

Quando foi a última vez que você se sentiu verdadeiramente engajado em suas atividades profissionais? Onde você estava e o que você fazia? Você lembra o que sentia física e emocionalmente? Talvez você sentisse o coração um pouco mais acelerado, com uma sensação de profunda e verdadeira contribuição para algo que preenchia sua alma e falava diretamente com seu propósito pessoal. Ainda é possível que você tivesse a sensação de ter seus talentos realmente bem alocados e que estava exatamente onde deveria estar.

Engajamento, enquanto definição, é a intensidade de energia e interesse que depositamos em uma atividade. É esse ímpeto que fará nos dedicarmos mais, colocando plena atenção e tomando responsabilidades pelas entregas. Assim como o interesse, o engajamento vai interferir diretamente na intensidade de energia que alocamos e dispendemos para realizar determinada tarefa.

Há uma série infinita de fatores que são capazes de aumentar ou diminuir nossos níveis de engajamento. Ser parte de em uma equipe acolhedora e desafiadora, possuir um envolvimento emocional com seus principais compromissos, entender profundamente o porquê de estar fazendo o que se está fazendo, sentir que seus níveis de contribuição estão deixando uma marca e fazendo diferença no contexto do negócio como um todo ou ter uma liderança verdadeiramente inspiradora. Esses são apenas alguns fatores que podemos relacionar ao nosso nível de engajamento dentro de uma organização.

O que sabemos, através de pesquisas e comprovações científicas, é que o nível de engajamento de um colaborador está diretamente ligado à qualidade de sua entrega. Interessados em saber a real interferência que o fator engajamento exercia frente a questões importantes de gestão de uma organização, o Instituto GALLUP realizou uma pesquisa com grandes empresas. Essa pesquisa foi realizada a partir da análise de satisfação de 192 empresas de 34 países diferentes. Somando todos os colaboradores estudados, a pesquisa abrange 1,4 milhão de pessoas.

Com os dados recolhidos, eles puderam identificar as empresas com maiores níveis de engajamento para, posteriormente, gerar comparativos entre os resultados dessas empresas com as empresas com níveis inferiores. Veja os resultados:

Conforme demonstrado no gráfico, o engajamento é responsável não apenas por impactar positivamente fatores como satisfação do cliente, produtividade e rentabilidade, mas também se mostra capaz de reduzir fortemente os fatores negativos como perda de estoque por roubo, incidentes de segurança com clientes/pacientes e a quantidade de defeitos apresentados pelos produtos.

Em resumo, assim como diminui os resultados negativos, o engajamento faz aumentar fatores positivos e importantes como a produtividade e a rentabilidade. Esses dois últimos são chave para aqueles líderes mais resistentes a reconhecer a importância de trabalhar proativamente o engajamento.

Compreendido o impacto e a importância que os níveis de engajamento de um colaborador ou time possuem nos resultados do negócio, retomamos a reflexão inicial e o convidamos a resgatar um momento em que você se sentiu realmente engajado em sua trajetória profissional.

Pensando em sua história, como era o/a seu/sua líder nesse momento? Como você o/a percebia? O que ele/ela fazia e de que forma se comunicava com você e com o time? Como era o ambiente em que você estava? Você tinha suas habilidades e talentos reconhecidos e estimulados por essa liderança? Havia um vínculo emocional como um fator determinante nesse momento?

Considerando os benefícios resultantes do aumento dos níveis de engajamento demonstrados na pesquisa do Instituto GALLUP, é de interesse direto da liderança manter seu time com um elevado grau de engajamento e inspiração para o trabalho.

Alinhado a esse contexto, o psicólogo húngaro e professor na Claremont University Mihaly Csikszentmihalyi diz que há uma intersecção entre três campos que devemos buscar preencher para entender se as pessoas certas estão alocadas nas áreas e setores “corretos” e com a função adequada. Segundo Mihaly, para que o colaborador sinta-se verdadeiramente engajado e em flow (que é momento em que uma pessoa vive um pico de felicidade, energia positiva e fluidez no desempenho de uma atividade), é importante perceber se ele está fazendo algo que goste, algo que faça bem e que entenda o porquê de estar fazendo determinada função ou tarefa.

Quando reúnem esses três âmbitos do fazer, as pessoas se conectam emocionalmente com as atividades que desempenham, agem com maior prontidão frente aos desafios do dia a dia e entendem o propósito pelo qual estão fazendo determinada atividade. No momento em que a liderança é dotada de uma visão de futuro e capaz de gerar e gerir relacionamentos verdadeiramente mobilizadores com seus liderados, percebe que ela própria se torna uma ferramenta de mobilização e ampliação de engajamento do seu time.

Uma liderança dotada da percepção de que ela é parte essencial, ainda que não a única responsável, pelo engajamento de sua equipe, amplia seu leque de possibilidades de ação e geração de momentos de vínculo e significado de cada indivíduo que lidera. A partir disso, o cotidiano é visto como palco para geração de conexão e toda e cada ferramenta de desenvolvimento aplicada com seus colaboradores pode ser uma oportunidade para gerar maior engajamento.

Cada ferramenta de gestão, cada interação e diálogo (incluindo conversas de feedback) se tornam oportunidades para compreender e medir os níveis de envolvimento, participação e empenho do indivíduo e coconstruir novos acordos para melhorar a relação do liderado com seus compromissos individuais e coletivos.

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Fontes:

Instituto Gallup

Mihaly Csikszentmihalyi — (Claremont Graduate University)

https://leadedu.com.br/